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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A GUERRA, O CHORO E A IMAGEM:

Assistir a tantas mortes promovidas pela guerra entre povos “irmãos”, requer um choro atemporal. As imagens descortinam um pouco do íntimo do ente humano e retratam, também, dia a dia, do que é feita a motivação humana. Afirmar que Israel assassina crianças inocentes não diminui as mazelas do lado oposto constituídas, há tempos, em crimes contra o direito de ser livre. Todos sabem, ainda que de modo velado, por quanto sofrimento passam “árabes nas mãos de árabes”. Como aqui no Brasil. Gente nas mãos de gente.
A intolerância não mora no coração, mora na alma. Faz sua habitação na casa da morte e não na casa da vida. Por isso, a guerra é sem propósito e o choro, uma necessidade. Em fotos veiculadas pela mídia, há gente que chora pela morte e gente que chora pela vida. Ainda que ambas - vida e morte -, em épocas de guerra, pouco representem à diáspora da existência para alguns, o ato de chorar certamente conduz o ente a uma esfera extra-física. O choro não é somente uma manifestação de olhos, coração e sensações. O choro é uma ação mental cujo propósito transita entre o que há no modo de existência objetiva, avistada no imediato (na direção do outro e com o outro) e o que há nos contornos do transcendente, alheio à percepção dos sentidos. É um veículo para a dor do ser e do devir a ser. Portanto, o choro, sanciona e clama a presença, inóspita, do tempo, o grande estrategista da vida e da morte.
As querelas contemporâneas, bem traduzidas pelos veículos de massa, através de imagens, formam o círculo do estrategista. Como estalos ao corpo da guerra, esquizofrênicas, saturadas de dias e sós, as imagens representam o tempo paralisado pelo homem. O tempo não pára? Sim, é verdade. Não pára não. Param os homens, vestidos de alegria ou de triteza, quando choram.
A guerra compreende o espaço do estranhamento, porque ainda que represente um espaço idealizado com um fim de manifestação do homem sobre o homem, ao mesmo tempo, perfaz um espaço outro porque conduz a um não-sonhar. Neste espaço não há esperanças, abrigos de aconchego ou memórias infantis. Há, apenas, destruição e abandono. A guerra não traz experiência, nem realiza, no homem, a capacidade da reflexão. A guerra desorienta os valores e ocasiona vazios internos irreparáveis. Os vazios são “nadas” em progressão: “nadas”, que nada podem gerar de harmonia, beleza ou amor em si por expressarem, exatamente, a não existência ou a progressão infinita do não-ser. Ao contrário do choro.
Mesmo que fora de um tempo ou imerso aos tempos, o choro conduz à restauração, ao equilíbrio. As imagens não podem revelar o bem ou o mal que habitam no espírito de um homem. Também não perscrutam as saídas inexoráveis das lágrimas de uma mãe ao ver seu filho morto pelos “benefícios” de matar e morrer.
Jacqueline Barros.

3 comentários:

  1. Meu Amor..
    A guerra dizima qualquer possibilidade de algo vir a ser...seu texto mostra a ferida aberta no coração daqueles que convivem com esta realidade...
    um beijo, Te amo!!

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  2. Jac, lindo texto. A guerra para alguns é a continuação de uma cultura de uma civilização, como a guerra entre árabes e judeus. Existe muita dor e sofrimento, mas o povo já tem isso enraizado. O pior é a guerra que vivenciamos diariamente em nosso país, que não faz parte de nossa cultura e arranca do seio da família um ente querido da maneira mais cruel e sem fundamento. A nossa guerra é o tráfico de drogas. Um grande beijo da amiga Nadia

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  3. A pior guerra na qual estamos envolvidos não é abastecida por armas, exército ou interesses humanos.
    Lutamos a cada dia contra o nosso maior inimigo: nós mesmos!
    "Porque o querer fazer o bem está em mim, mas não o efetuá-lo..."

    A outra guerra, da qual escreveste tão sabiamente é apenas o reflexo da primeira, citada acima...
    Que DEUS nos conceda força!

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